Nem sempre quem vive de passado é museu

Fernando Fliper
Desde a minha conversão me deparo com estudos e pregações que evidenciam a grandeza do que fez a Igreja Primitiva ou Igreja dos Apóstolos. A Bíblia nos mostra que após a ressurreição de Jesus Cristo, os apóstolos estavam em Jerusalém orando e jejuando, aguardando a vinda do Espírito Santo, o Consolador, de quem Jesus lhes falou quando de suas instruções finais.

          No capítulo segundo do livro de Atos dos Apóstolos nos deparamos com o Pentecostes, acontecimento que incontestavelmente tornou-se o índice de toda história da Igreja Primitiva. A partir de então os Apóstolos foram cheios do Espírito Santo e passaram a viver dirigidos por Ele (Atos 2:4).

          No capítulo supracitado, a Bíblia relata que todos os que estavam ali presentes ficaram maravilhados com o que presenciavam, ao passo que após Pedro levantar sua voz no meio daquela multidão, agregaram-se mais de três mil vidas.

          Trazendo para nossa realidade de igreja contemporânea, nos deparamos com um quadro completamente diferente daquele vivido pela Igreja Primitiva, ainda mais observando a Igreja como Corpo de Cristo, como fez Paulo (Rm. 23: 4-5). O que pudemos constatar é que muitas vezes as igrejas se tornam corpos mutilados usufruindo de “próteses espirituais”, com a finalidade de se apresentarem como perfeitas e esconderem suas imperfeições.

          Parece que a expressão “o meu Deus”, ao invés de “nosso Deus”, está cada vez mais presente no universo cristão. Quando eu era garoto ouvia os mais velhos dizerem ”cada um por si e Deus por todos.” Um adágio que retrata, infelizmente, a realidade de muitas igrejas atuais.

          Uma eterna disputa para saber quem é mais “santo”, quem prega melhor, quem ministra o louvor melhor, enfim o que se observa é basicamente como se os pés quisessem enxergar, as mãos caminhar e os olhos falar.

          O que dizer, então, do que nos ensina o livro de Atos, ainda em seu capítulo segundo, verso 44, quando afirma: “E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum.” Como vivenciar esta experiência nos dias de hoje? Logo você pode alegar que o marcado nos dias atuais exige muito mais e que não sobra muito tempo para estar junto dos irmãos.
Amados, Deus jamais chamará pessoas desocupadas. Quando Ele ordenou a Moisés que fosse libertar o povo de Israel do Egito, Moisés se encontrava apascentando as ovelhas de seu sogro, Jetro, porém trabalhando (Ex. 3:1). Sempre haverá tempo para ser investido em comunhão.
 
          Ainda podemos destacar o processo de submissão e obediência que os membros da igreja em tela tinham quanto à doutrina empregada pelos Apóstolos. Vejamos: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações” (At. 4: 42). Infelizmente o número de membros que se rebelam contra atitudes pastorais cresce a cada dia dentro das igrejas causando, na maioria das vezes, divisões irreparáveis.

          A perda da identidade e o desconhecimento completo da doutrina eclesiástica da Igreja na qual o membro está inserido, corrobora, e muito, para que estes acontecimentos desagradáveis ocorram dentro daquela igreja.

          Hoje, muito procuram uma “igreja cardápio”, ou seja, que atenda a todas as suas necessidades e conveniências, esquecendo que, como corpo de Cristo, nem todos os membros realizam movimentos iguais. É comum ouvirmos que determinada igreja é melhor porque tem mais jovens, ou outra porque tem muito “barulho”, ou ainda porque é pastoreada por aquele “pastor poderoso”. Chega a ser hilário, se não fosse trágico.

          Acho que o problema é mais sério do que eu pensava. Precisamos nos examinar e buscar a cada dia sermos reformadores e estarmos, como Corpo de Cristo, vivendo unidos no amor de Jesus. “E perseveravam unânimes todos os dias no templo. E partindo o pão de casa em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar” (Atos 2:46-47). 

          Por fim olharmos para a igreja do passado não apenas como referência bíblica, mas como uma realidade de Deus para a igreja em todos os tempos. E está lá no profeta Isaías, capítulo 46, verso 9: “Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade; que eu sou Deus e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim.”
           Portanto, se há de convir que NEM SEMPRE QUEM VIVE DE PASSADO É MUSEU.

Fernando Fliper. Membro da Igreja Metodista em Teresina-PI. Trabalha com a MPC.

4 comentários:

Estevão Marlom disse...

Excelente palavra Fliper! Um dos maiores erros que o homem pode cometer é ignorar o passado. Lembrei de um trecho bíblico cantado pelo grupo VPC: "O que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não encobriremos aos nossos filhos. Contaremos às vindouras gerações, os louvores do Senhor, o seu poder e as maravilhas que fez" Salmo 78.3e4
Não podemos ser indiferentes às experiências que nossos pais tiveram com Deus.

Anônimo disse...

Muito bom!Realmente as pessoas vivem alienadas a procura de algo além da Salvação,na verdade essas pessoas nunca conheceram o verdadeiro valor do sacrifício de Cristo,e nunca se satisfazem.Que Deus nos dê cada dia sabedoria para jamais esquecermos os verdadeiros valores cristãos.

Unknown disse...

Muito legal Mister Fliper...

...Os ensinamentos do passado que recebi dos meus pais, hoje me servem de base para ensinar e educar o meu filho para um futuro melhor(uma geração fortalecida)...Como disse o versículo que o Estevão usou. Temos que pedir sabedoria a Deus para servemos no futuro um passado que deixou bons frutos!!!

Luis Fernando disse...

Obrigado!!!!

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