A essência do Evangelho: uma bola invisível! 2ª Parte

Cristo deixou na essência do evangelho a mensagem de restauração ampla do homem e isso é, ou ao menos deveria ser, colocando as coisas nos termos da atual realidade, incumbência da Igreja. Mas infelizmente não é isso que a Igreja tem pregado e muito menos promovido. A igreja tem olvidado o seu papel de promover a restauração da condição humana de forma integral.

Muito pouco se houve falar na Igreja de responsabilidade social dos cristãos. De caráter e moralidade muito menos. A única moralidade lembrada é relativa à sexualidade. A frouxidão moral tomou de conta de muitos, líderes e liderados, e tudo se tornou natural. Mas quero me deter especificamente com a incumbência da Igreja com a restauração daqueles que estão ao nosso redor.

Essas pessoas que estavam nos sinais me despertaram uma interrogação. Pensei cá com os meus botões no que tenho feito por esses que choram, sofrem e pedem socorro. Cheguei à triste conclusão de que sou apenas mais um entre muitos outros que se recolhem nos domingos, terças e quintas-feiras em templos, cada dia mais confortáveis e suntuosos, para “louvar a Deus”. Faço parte de um desfile de moças e rapazes, muito preocupados com a estética e bem arrumados que se encontram nas igrejas. No domingo entramos nos nossos carros, colocamos a melhor roupa, usamos um ótimo perfume do “o boticário” e vamos para igreja “louvar a Deus”. Os homens desfilam seus fortes braços malhados (não é o meu caso, mas tudo bem, tenho outras qualidades); as mulheres suas pernas e bundas maravilhosas e super malhadas – nossa uma loucura – e seguramos uma bíblia. É a nossa marca como crentes. Tudo isso “para Deus”. “O melhor para Ele”, dizemos!

Os pastores, em geral, com seus ternos impecáveis! Será que hoje em dia aceitariam Jesus pregar sem terno? Deixa para lá.

Pregações fantásticas e emocionantes.

Bons carros parados em frente à Igreja. Crentes cada dia mais ricos materialmente, graças a Deus, mas cada vez mais pobres moral e espiritualmente. Cada dia mais distantes daqueles que estão ao nosso lado. Oferecemos o evangelho apenas para os que estão no nosso mundo.

Depois disso, terminado o culto, o programa é comer e beber com os irmãos, bater papo, falar da vida alheia e nada mais. O capitão nascimento diria: esses crentes são uns fanfarrões! Não há hora para voltar para casa, salvo raras exceções. Sobra tempo para tudo.  Esse é o nosso evangelho, repleto de coisas “relevantes” para Deus.

Como é fácil ser cristão dentro da Igreja. Como é confortável ocupar cargos na igreja, tocar instrumentos, cantar e dançar para “louvar a Deus”. “Fazemos muito por Deus”, pensamos!

Quantas igrejas percebem aqueles que estão nos sinais. Quantas igrejas percebem aqueles que se prostituem nas ruas, às vezes ao lado da própria igreja. Quantas igrejas lembram da necessidade das pessoas que vêm do interior do Estado do Piauí, Maranhão e outros estados, para fazer tratamento médico em Teresina e ficam em casas beneficentes. Quantas igrejas lembram dos viciados em drogas. Alguns podem dizer: “problemas sociais são problemas do Estado. O problema da Igreja é o de ordem espiritual”.

Como se não bastasse a igreja tem se esquecido até dos seus. Quantos de nós se lembra dos nossos missionários que vivem com remuneração miserável no exterior, sendo perseguidos e sofrendo toda sorte de riscos?

Não foi assim que Cristo nos ensinou.

*João Vinícius Brito frequenta a Igreja Batista no Jóquei, é servidor público federal, viciado em café e coca-cola.

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