Ao contrário do que se pensa, o uso da máscara não tem origem no carnaval, mas em rituais religiosos antigos, mantidos por alguns povos. Eles acreditam que o uso da máscara de determinado ser ou entidade traz de volta o seu espírito.
Sem dúvida, foi o carnaval que tornou o uso da máscara muito popular, cuja função original é libertar os foliões de problemas do cotidiano – dívidas, tristezas etc.
Os desenhistas usam a máscara (colocada ou pintada no rosto) para retratar heróis e vilões: homem aranha, zorro, mulher gato, coringa, são exemplos de personagens adeptos da máscara.
Fora o carnaval e outras festas, as pessoas não andam mascaradas como os heróis/vilões. Mas, no dia a dia usamos outros tipos de máscaras. Com que objetivo? Permanecer no anonimato, na moita, não mostrar quem somos.
Há muitos tipos, mas um muito usado hoje é a net, através das famosas rede sociais – orkut, facebook, msn.
Na net, trocamos o presencial pelo virtual com o mesmo objetivo dos heróis mascarados – proteger a identidade. Entretanto, se a máscara protegia a identidade do herói, em nosso caso, a máscara chamada net pode esconde o estado doentio das pessoas.
Chegando ao extremo do mau uso, há uma porta aberta para a pedofilia, calúnia, ameaça etc. Há até um site que permite que permite insultos anônimos no facebook. O comentário não aparece no facebook, mas pelo link...
Só que o lado doentio não é só a prática de crimes, mas também algo “inofensivo” – a criação de um perfil falso (fake).
Uma pesquisa divulgada na Inglaterra comprova o que muitos já desconfiavam. Os adolescentes preferem a vida construída atrás do monitor a seu cotidiano no mundo real. Uma das conclusões que mais chamou atenção é que 45% dos 2,3 mil adolescentes britânicos (entre 11 e 18 anos) entrevistados eram mais felizes com sua vida online. Na conversa com os pesquisadores, um deles: “Posso conversar com pessoas que normalmente não conversaria e pode editar suas fotos para ficar com uma aparência melhor. É como se você fosse uma pessoa completamente diferente”.
A pesquisa mostra que 47% admite se comportar de maneira diferente quando está online, sentindo-se mais poderosos e confiantes.
Um em cada oito (12,5%) declarou já ter mentido sobre seus dados pessoais na internet. Destes, 60% mentiram sobre sua idade ao falar com desconhecidos online, enquanto 40% mentiram sobre seus relacionamentos pessoais.
Esse papo de máscaras lembra a história de Ananias e Safira, narradas em Atos 5.1-11. Na Igreja de Jerusalém as pessoas começaram a vender bens para repartir a grana com os necessitados. O casal também vendeu uma propriedade, mas criou um fake – o preço da venda foi x, mas eles disseram a Pedro que venderam por x–1. Qual foi o resultado? A máscara caiu.
A máscara usada por Ananias e Safira nos indica:
P Busca por aceitação – sem dúvida, todo mundo gosta de ser aceito, reconhecido, ter seu minuto de fama;
P Busca por poder – a necessidade de estar perto de pessoas influentes, as que estão podendo (o líder, o chefe, o cara);
P A mentira como arma – a máscara sempre esconde uma mentira, como se o fim nobre justificasse a fraude. Assim, mentimos porque queremos agradar, mentimos porque queremos manipular, mentimos porque temos medo de mostrar quem somos.
A história de Ananias e Safira, que pode ser a nossa, ensina-nos duas lições:
1ª Contradição – o uso de máscaras revela algo conflituoso, pois ao mesmo tempo em que esconde nossa identidade, revela nosso estado doentio (uma vida baseada na mentira);
2ª A Deus não se engana – assim como usamos máscaras com as pessoas, tentamos usar contra Deus. Só nos esquecemos que, se podemos enganar as pessoas, a Deus jamais enganaremos (Salmo 139.1-13).
Não esqueçamos o que diz Provérbios 10.17: “suave é ao homem o pão da mentira, mas depois a sua boca se enche de pedrinhas”.
Sejamos nós mesmos, do jeito que Deus nos criou. Nossas imperfeições físicas ou psicológicas não serão resolvidas pelo facebook, muito menos pelo photoshop. A graça de Deus é que nos dá a chance de conviver bem com nós mesmos e com nosso semelhante.
Colaboraram para este artigo Joel Ferreira, Lucas Alves e Natan Esteves.
18:26
Veron







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